

A Palavra divina introduz cada um de nós no diálogo com o Senhor: o Deus que fala,
ensina-nos como podemos falar com Ele.
No Livro dos Salmos, o próprio Deus nos fornece as palavras com que podemos dirigir-
nos a Ele, levar a nossa vida para o diálogo com Ele, transformando assim a própria
vida num movimento verso a Ele.
Nos Salmos, encontramos articulada toda a gama de sentimentos que o homem pode ter
na sua própria existência e que são colocados diante de Deus e encontram lá a sua
expressão. Podemos mencionar apenas algumas referências aqui:
- alegria: “Meu coração exulta de alegria, e com o meu cântico lhe darei graças.” Sl
28,7.
- sofrimento: “Mas tu vês o sofrimento e a dor; e tomas esses sentimentos em tuas
mãos. O sofredor se entrega a ti, pois tu és o protetor do órfão.” Sl 10,14s.
- angústia: “Tribulação e angústia me atingiram, mas os teus mandamentos são o meu
prazer.” Sl 119,143.
- esperança: “Mas agora, Senhor, que hei de esperar? Minha esperança está em ti.” Sl
39,7.
- medo: “Mas eu, quando estiver com medo, confiarei em ti.” Sl 56,3.
- perplexidade: “Ouve-me e responde-me! Os meus pensamentos me perturbam, e
estou atordoado.” Sl 55,2.
Numerosos textos da Sagrada Escritura apresentam o homem a dirigir-se a Deus sob a
forma de oração de intercessão (cf. Ex 33, 12-16), de canto de júbilo pela vitória
(cf. Ex 15), ou de lamento no desempenho da própria missão (cf. Jr 20, 7-18). Deste
modo, a palavra que o homem dirige a Deus torna-se também Palavra de Deus.
A Palavra de Deus revela que toda a existência do homem está sob o chamamento
divino.