

São João chamou a nossa atenção para o coração de Cristo na significativa passagem da
cena ocorrida depois da morte do Salvador: “Quando chegaram a Jesus, tendo visto que
já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um dos soldados abriu-lhe o lado
com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água”(Jo 19,34).
A parede de carne que ocultava o coração amantíssimo do Redentor foi rasgada
concedendo aos homens o manancial das misericórdias divinas, o mistério dos grandes
amores de Cristo.
O Evangelista registrou com carinho aquela sua frase: “tenho compaixão deste
povo”(Mt 15,32).As curas que Ele operou foram movidas por imensa bondade, como a
que fez sarando o paralítico de Betsaida. Ante a dor da viúva de Naim que acompanhava
o funeral do filho querido eEle o ressuscita para alegria da mãe a quem o entrega num
gesto de sublime generosidade. Coração sensível e delicado, que perdoa a mulher
adultera.
Suas parábolas refletem estes sentimentos. Quanta doçura e complacência no trecho
sobre o filho pródigo e a ovelha perdida! Ele é o bom samaritano, o Bom Pastor.
Procurou afetuosamente a Zaqueu e acolhe no seu Reino o bom Ladrão, reabilitou
Pedro.
É tudo isto que palpita no Coração de Jesus, Coração queé símbolo e centro natural de
todas as virtudes, que é símbolo e centro de seu amor para com o Pai e para com as
criaturas.
Para isto, segundo São Paulo,é preciso que Cristo habite pela fé em nossos corações,
arraigados e fundados no amor, para que possamos compreender com todos os Santos
qual seja a largura e o comprimento, a altura e a profundidade deste Mistério de Cristo e
conhecer também aquele Amor de Cristo que excede a toda a ciência (Ef 3,17-19).