

Somos convidados a meditar sobre o significado da declaração feita pelo próprio Jesus: “Foi-me
dado todo o poder no Céu e na Terra!”. Encontramos esta afirmação de Jesus noEvangenho de
Mateus capítulo 28, versículo18.
“Foi-me dado todo o poder …” – Jesus nos fala que recebeu o poder.
De quem Jesus recebe este poder? - Ele o recebe de Seu Pai, Deus onipotente que tudo criou e tudo
governa. Lemos no Livro do Gn 1, 1: “No princípio, criou o céu e a terra”; - o poder criador de
Deus não é para aumentar a Sua glória, mas para comunicar e partilhar esta glória, especialmente à
pessoa humana. Como nos lembra Santo Ireneu de Lião : a glória de Deus é o homem vivo, e a vida
do homem é a visão de Deus.
As criaturas saíram das mãos de Deus abertas pela chave do amor. Este é o Poder de Deus Pai: o
Amor, a bondade, a vida!
Mas o que significa o Poder de Deus?
Significa que “nada é impossível a Deus” (Lc 1, 37). Para Deus é possível amar infinitamente, ser
misericórdia eterna, bondade e compaixão ilimitadas. É sempre possível nos amar. Ser
misericordioso, bondoso e compassivo para com cada um de nós.
Deus Pai pôde criar-nos e, no Espírito Santo, nos pode renovar e santificar-nos sempre!
Jesus pôde salvar-nos na cruz e pode sempre de novo nos acolher na sua divina misericórdia.
Pelo Espírito Santo, na ação da Igreja, Jesus continua a nos alimentar com a sua Palavra, e com a
força dos sacramentos, instituidos para comunicar a sua graça.
Como o Poder de Deus se manifesta?
O poder de Deus se manifesta conduzindo o coração humano e a história para o bem!
Manifesta-se na providência e proteção pois, é o próprio Cristo que ama, que cura, que anuncia a
Boa Nova por meio de cada um que pratíca o bem, que ama verdadeiramente.
Mesmo quando a pessoa humana escolhe e pratíca o mal, Deus não se fecha humanidade! Ele está
sempre à procura, à busca de cada pessoa!
Mesmo que o mal seja fruto da escolha livre da pessoa humana, Deus nunca permitiria que
existisse qualquer mal nas suas obras se Ele, o próprio Deus, não fosse suficientemente poderoso e
bom para do próprio mal, fazer surgir o bem.
O mais claro exemplo nos foi dado, quando aconteceu o maior e pior mal moral já praticado: a
morte do Filho de Deus, causado pelos pecados de todos os homens, Deus, pela sua graça, tirou o
maior dos bens: a glorificação de Cristo e a nossa redenção.
Deus Pai revelou a sua onipotência do modo misterioso: na humilhação voluntária e na ressurreição
de seu Filho, pelas quais venceu o mal. Cristo crucificado é «força de Deus e sabedoria de Deus (1
Cor 1, 25).
“Tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8, 28).
O mal não se transforma em bem, mas na fragilidade da dor, do sofrimento, mesmo aí, quando
amamos, quando nos abrimos para Deus, surge o novo, a transformação.
Somente a fé pode nos fazer entender e aceitar que nada é impossível a Deus. Só a fé pode nos torna
capazes de aceitar este poder misterioso de Deus!
A fé nos capacita a contemplar, depois da morte humilhante de Jesus, a sua vitória que deixa o
sepulcro vazio. A fé nos capacita a procurar sempre o amor e praticá-lo, viver a esperança e nos
preparar para estar com Deus na sua morada eterna após nossa partida deste mundo.
Especialmente neste tempo de pandemia, quando estamos fragilizados, visitados pela dor, pela
insegurança do amanhã, vamos pedir que Deus renove a nossa fé no seu poder. Que Jesus nos
recorde que Ele tem todo poder no céu e na terra e tudo concorre para o bem dos que o amam!