

Meditemos hoje esta bela declaração de Jesus: “Deus amou tanto o mundo que entregou
o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n`Ele não pereça, mas
tenha a vida eterna”. (Jo 3,16)
Podemos ler esta Palavra de Jesus, interpretando-a à luz da história da Salvação. Mais
ou menos assim, ficaria a declação: Meu Pai, o Deus Todo Poderoso, amou a mim,
Jesus, desde toda eternidade! Ele criou tudo o que existe por amor e para o amor.
Sendo assim, Ele criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança e, mesmo eles:
homem e mulher, endureceram os seus corações pelo pecado, Deus não os abandonou!
Meu Pai amou tanto, mas tanto o mundo que enviou, a mim Seu Filho, para oferecer a
salvação para todos. E, todo o que acreditar em mim, ganha de presente a vida plena, a
vida eterna!
Já sabemos que para conhecer a Deus deveremos abrir a Sagrada Escritura, Ele próprio,
nos conta quem Ele é.
- O Pai é a fonte do amor! É Ele que nos ama desde sempre e entregou o seu Filho à
morte por todos nós. O amor do Pai, amor gratuito e infindável, é o que nos torna
capazes de amar. “Deus não nos ama porque somos bons e bonitos; Deus torna-nos
bons e belos porque nos ama” (S. Bernardo).
- O Filho é o eterno Amado! Ele é aquele que desde sempre se deixou amar. O Filho
mostra-nos que não só a gratuidade é divina, mas também a gratidão, o deixar-se amar.
Não basta amar, é preciso deixar-se amar. Só seremos imagem do Filho na medida em
que sabemos acolher os outros. Na verdade, quando não se acolhe o outro, não se acolhe
Deus.
- O Espírito é o vínculo do amor! O Espírito Santo é o que une o Pai – Fonte do amor
e o Filho – o Bem-Amado do Pai. Quando recebemos o Espírito somos capazes de nos
unir a Deus e aos irmãos. O Espírito é a liberdade e o dom do amor divino. É por isto
que, quando abrimos o nosso coração ao Espírito Santo, somos impelidos à missão
porque não podemos guardar só para nós o dom do amor com que somos amados.
Na Cruz, o Amor misericordioso de Deus chega ao seu ponto máximo: o Pai, que doa o
seu Filho único para a salvação do mundo; o Filho, que cumpre até ao fundo o desígnio
do Pai; e o Espírito Santo – infundido por Jesus no momento da morte – que vem
tornar-nos partícipes da vida divina e a transformar a nossa existência, para que seja
animada pelo amor divino.
A Santíssima Trindade habita na nossa alma como num templo. São Paulo faz-nos saber
que o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi
dado (Cf. Rm 5, 5). Temos de nos acostumar a relacionar-nos com Deus Pai, com Deus
Filho e com Deus Espírito Santo, que mora no nosso coração.
Também a fé no Deus uno-trino tem consequências na nossa vida pessoal, eclesial e
social. Cada cristão deve dar a reconhecer o rosto de Deus que é Pai, Filho e Espírito.
Cada cristão deve ser imagem visível da Trindade que tudo gratuitamente dá. Tornar-se
sinal de um autêntico diálogo de amor, de entendimento reciproco e de disponibilidade a
abrir o coração a quem precisa de se sentir, acolhido, amparado e amado.