

Esse grupo social é responsável por grande parte da
solução dos problemas modernos
Os dias atuais estão sendo atormentados pelo isolamento social. Mas uma
pesquisa católica sugere que a solução para isso está nas nossas famílias.
Recentemente, uma manchete The Wall Street Journal revelou: “A taxa de
suicídio de jovens aumentou 56% na década…”
Quanto mais você lê a reportagem, pior fica. “Embora a taxa de suicídio
entre as crianças de 10 a 14 anos fosse a menor [entre as faixas etárias] esse
índice quase triplicou de 2007 a 2017”, diz a reportagem. Mas ninguém até
conseguiu identificar por que os suicídios estão aumentando.
Procurando causas para o aumento do suicídio, o Journal observou o
aumento da depressão entre adolescentes, uso de drogas, estresse e até
dependência de mídia social.
Mas um livro de pesquisadores católicos diz que, na raiz de tudo isso, há
algo tão primitivo em nós que perdê-lo significa perder a nós mesmos: a
família.
O livro de 2012 de Mary Eberstadt, Adam and Eve After the Pill (“Adão e
Eva depois da pílula”), focou nos danos causados às relações entre homens
e mulheres (além de crianças e jovens adultos) pela revolução sexual. Seu
novo livro, Primal Screams, dá o próximo passo, examinando os destroços
deixados pelo colapso da família.
Eberstadt começa falando não sobre seres humanos, mas sobre lobos. Os
pesquisadores descobriram que, ao contrário do que pensávamos, “os lobos
vivem da mesma maneira que as pessoas, em famílias compostas por uma
mãe, um pai e seus filhos”.
E não são apenas lobos. Agora, os cientistas dizem que os rebanhos
também comportam-se como famílias, e que os animais aprendem tudo
com suas mães e irmãos. Essas descobertas levaram muitas instituições a
proibir apresentações de orcas e golfinhos – porque agora sabemos que
esses animais, separados de suas famílias, sofrem profunda angústia.
Na realidade, diz Eberstadt, um animal separado de sua família sofre
conseqüências previsíveis: ansiedade, comportamentos repetitivos,
expectativa de vida mais curta e automutilação – as mesmas coisas que
estão aumentando nas populações humanas em nossos dias.
Uma descoberta fascinante dos estudos de Eberstadt é a enorme
importância dos irmãos.
Ela cita uma pesquisa de 2018 que sugere que os irmãos precisam
compartilhar recursos e “aprender empatia uns com os outros,
independentemente da ordem de nascimento”. Outro estudo sugere que “a
probabilidade de divórcio na vida adulta pode ser prevista pelo número de
irmãos que alguém tem; quanto maior o número, menor a probabilidade de
divórcio.”
Os primos que moram nas proximidades oferecem benefícios semelhantes
– como, presumivelmente, os grupos de crianças que costumavam reunir-se
em comunidades rurais, bairros e quarteirões da cidade, onde a falta de
irmãos em uma casa seria compensada por essas duas portas.
Irmãos do sexo oposto fornecem benefícios sociais específicos, ressalta
Eberstadt. “Crescer com um irmão do sexo oposto torna adolescentes e
jovens adultos mais confiantes e bem-sucedidos no mercado”, diz ela. Eles
sabem como meninos e meninas são de perto.
Por outro lado, a falta de conexões familiares nos leva a procurar a
identidade pessoal em lugares improváveis, como “tribos de hip-hop e
música country, bros, nerds, Grupos do Facebook.” Claro que essa lista
poderia continuar indefinidamente, acrescentando diferenças sexuais,
ocupacionais e outras.
Mas quem sou eu? Trata-se de uma pergunta que só pode ser respondida
através de nossos relacionamentos.
“Nenhum homem é uma ilha”, escreveu John Donne. Todos fazemos parte
da humanidade, por meio de uma família.
Eberstadt diz que é difícil responder “Quem sou eu?” sem antes responder
“Quem é meu irmão? Quem é meu pai? Onde estão meus primos, avós,
sobrinhas, sobrinhos e o resto das conexões orgânicas através das quais a
humanidade até agora canalizava a existência cotidiana? ”
Os católicos sabem o porquê: Deus em si é relacional – Pai, Filho e Espírito
Santo – e, quando veio nos redimir, entrou em uma família humana,
comparou o céu a um banquete de casamento e nos chamou para ser filhos
adotivos e filhas de Deus.
Nossa fé nos diz claramente o que a ciência está descobrindo agora,
tardiamente: o futuro da humanidade passa pela família.
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