

“O que está acontecendo com sua Igreja?” assim fui perguntada várias vezes,
aqui no Brasil, porque os questionadores sabem que sou da Alemanha.
Essas observações não surpreendem quando assistimos que tudo, mesmo
algo tão fundamental como o sexo biológico de uma pessoa, está sendo
questionado; quando proclamamos desenvolver e aprofundar a doutrina da Igreja,
mas nos opomos a ela e isto também “anunciamos” ruidosamente na sociedade e
na Igreja, apoiados pela mídia, e assim, provocando uma ruptura, mas nenhum
desenvolvimento; quando a verdade e Cristo, que é a Verdade, não estão mais no
centro de nossa vida; quando devemos ser apenas questionadores e duvidando
de tudo e não devemos ter mais nada a oferecer; se não mantivermos a verdade,
custe o que custar, nós, como Igreja de Cristo, perdemos a credibilidade e nos
tornaremos supérfluos para o mundo, sim, então não precisamos nos surpreender
com o número crescente de pessoas deixando a Igreja.
E agora a Congregação para a Doutrina da Fé com o Não à bênção de
relações entre pessoas do mesmo sexo! Que disputa em nossa Igreja! Este ‘Não’
não implica um julgamento negativo sobre as pessoas envolvidas. A Igreja ama a
pessoa homossexual, mas deixa claro que a prática homossexual é pecado
grave, uma violação da vontade de Deus e da lei natural. Não tem nada a ver
com homofobia. A base para esta declaração é a autêntica doutrina da Igreja
sobre a criação e sobre o matrimônio de um homem e uma mulher. Assim, o lugar
legítimo da prática sexual é o matrimônio válido e indissolúvel do homem e da
mulher. Homens e mulheres com tendências homossexuais, segundo o
Catecismo de nossa Igreja, “devem ser tratados com respeito, compaixão e
delicadeza”. Na questão de bênção de parcerias civis registradas ou dos
chamados “casamentos” de pessoas do mesmo sexo, não se pode referir ao
Papa Francisco. Ele aprovou a Declaração da Congregação para a Doutrina da
Fé.
O que, então, nos impede de obedecer logicamente a esta ordem, ao nosso
Supremo Pastor Francisco, à lei natural e à vontade de Deus? Ou Deus realmente
desapareceu completamente de nosso horizonte? Sei da tristeza de muitos
cristãos católicos que não têm mais pastores, ou seja, não encontram orientação
na confusão de nosso tempo; mas encontram pastores que estão vacilando ou
que até falam contra sua própria Igreja. Por quê, então? Talvez eles queiram
mostrar misericórdia, favorecendo a bênção para casais gays? Mas a maior
misericórdia da Igreja é ajudar cautelosamente às pessoas a reconhecer a
verdade e seguí-la. A doutrina da fé é libertadora! Todo mundo tem direito à
verdade. Parece que estamos escondendo aquilo pelo qual somos atacados. A
doutrina moral e da fé são atacadas - então nós as ajustamos. Não! Claro, tombar
é mais fácil do que resistir. O Cristianismo sempre se mostrou como contraste.
Uma Igreja adaptada é sempre uma Igreja doente e fraca. Temos algo único a
oferecer e não precisamos da aprovação das massas para isso.
Então, qual é a causa de tanto desacordo e confusão? Com certeza, nós,
como Igreja, temos que nos renovar constantemente, mas não nos adaptando à
opinião atual das massas, mas a partir de dentro, através da obediência profunda
à Palavra de Deus, através do testemunho de nossa alegria na fé e do nosso
amor a todos. Ousemos oferecer ao mundo o ideal cristão na sua totalidade,
porque a pessoa deixa entusiasmar-se não pela mediocridade, mas somente por
uma ideia elevada.
Que os nossos bispos continuem a ter a coragem de ser pastores e de
defender com clareza a verdadeira salvação dos que lhes são confiados! Nossa
oração os acompanha. “O que me preocupa”, diz Marin L. King, “não é o grito dos
bandidos, mas o silêncio dos bons”. O sofrimento e a oração de tantos cristãos,
seu testemunho e fidelidade e bispos corajosos farão a Igreja florescer
novamente.
Ouçamos o Papa Francisco: “Não encontremos o Espírito Santo com
resistência. Esta é a graça que todos devemos pedir ao Senhor hoje: obediência
ao Espírito Santo ...”