

Queridas Irmãs, estamos iniciando o segundo ano do Triênio em preparação ao Centenário da fundação do Intitituto. Fomos convocadas, especialmente pela Direção da nossa Região, a vivenciar, da melhor maneira possível, este tempo. Neste pequeno texto quero retomar uma questão, que já mencionamos anteriormente, e convidá-las para uma reflexão pessoal e comununitária. Vamos lá! Existe no mundo uma visão moderna que nos confronta, que nos afronta tantas vezes! Vou chamar esta visão de: tendência à estagnação. David Hume, filósofo empirista, expressou o coração desta visão com a declação: “Nós nunca avançamos um passo além de nós mesmos.” Algumas afirmações decorrentes desta visão modernista são:“Essa sou eu, e você deve aceita-me como eu sou.”“Quando todos estão atendidos em suas necessidades e desejos, então está tudo bem!” “Está tudo bem assim, Deus nos aceita como somos.” Etc., etc. Lembro-me aqui de algumas referências que li sobre uma doença, diagnosticada pela primeira vez no ano de 1990, em crianças filhas de famílias refugiadas, especialmente na Suecia: a Síndrome da Resignação. Por terem sofrido grandes traumas e as crianças acometidas por esta síndrome, aos poucos, param de falar, recusam comer e beber, necessitam, assim, serem assistidas por meios artificiais. Estão vivas, mas “desligam-se da realidade”, entram num “profundo sono”, hibernam, para não enfrentarem a realidade que a cerca. O que causa esperança é que muitas crianças foram curadas desta síndrome quando o ambiente da família foi estabilizado. O simbolismo desta terrível Síndrome e da sua possível cura, pode nos ajudar na reflexão. Partamos de alguns questionamentos: – Não corremos o risco de cair na tentação de nos acomodar, de nos adequar, de ajustarmo-nos à realidade tal qual ela se nos apresenta e, então, estagnarmos? – Será que não estamos em perigo de não mais querer interagir e nem querer mudar aspectos da nossa situação pessoal e comunitária por achar que não existe mais saída, não existe mais um futuro para nós? – Está longe de nós o perigo do “grande sono”, esperando que outros cuidem de nós? Entendo que o perigo de uma acomodação, da estagnação pode nos rondar mais do que pensamos! “Eu sou assim mesmo!” “Que me respeitem!” “Ninguém me toque!” Deus, porém, disse: “Mudai-vos! Convertei-vos!” É certo que acolher e partir da realidade tal qual ela é, com certeza, é um princípio básico. Contudo, somos chamadas “a lançar a rede em águas mais profundas”; somos chamadas a “não contentar-nos com o que adquirimos e já possuimos”. Por mais decepcionante que seja a realidade, hoje, e por mais que esta pareça sem soluções, nossa fé nos assegura que existe uma esperança!
Agora, sendo possível uma mudança do bom para o melhor, qual o caminho para esta mudança?! O caminho, com certerza, já nos é conhecido: é o caminho que passa pela mudança de cada pessoa, de cada coração. Cada pessoa é chamada a converter-se, a crescer, a perdoar e a pedir perdão, a AMAR! Isto significa dizer, de coração e decididamente: aconteça o que acontecereu quero ser fiel; eu manterei minhas promessas; eu perdoarei; eu continuarei, eu amarei até o fim! Isto não nasce da força de um pensamento possitivo, não é fruto de treinamentos, de técnicas, é fruto da ação da graça. Muito recentemente o Papa Francisco afimou: “… sobre a vida religios paira esta tentação: ter um olhar mundano. É o olhar que já não vê a graça de Deus como protagonista da vida e vai à procura de qualquer substituto: um pouco de sucesso, uma consolação afetiva, fazer finalmente aquilo que quero. A vida consagrada, quando deixa de girar em torno da graça de Deus, retrai-se no próprio eu: perde impulso, acomoda-se, paralisa. E sabemos o que acontece depois! Reivindicam-se os espaços próprios e os direitos próprios, deixamo-nos cair em críticas e murmurações, indignamo-nos pela mais pequena coisa que não funcione e entoamos a ladainha da lamentação acerca dos irmãos, das irmãs, da comunidade, da Igreja, da sociedade” (Homilia da Festa da Apresentação do Senhor, tarde de 01.02.2020). Gostaria de concluir este texto, não o assunto, com um pensamento do Pe. Fundador, que recebeu de Deus a graça, o dom de nos orientar como suas filhas espirituais. Ele afirma que o segredo da nossa origem e existência – o fundamento do Instituto Coração de Jesus e, especialmente, a pedra fundamental sobre a qual pousa a nossa Regra Espiritual, é o mistério de DEUS QUE HABITA EM NÓS. Somente a vida com Deus que vive em nós pode realizar uma renovação radical em nossa natureza e nos tornar agentes de transformação onde estivermos e no que fizermos. “Se nos tirassem este mistério, já não mais existiríamos!”(Pe. Fundador, A comunidade daqueles em quem Deus habita). Assumindo, de coração, ser uma Comunidade daquelas em quem Deus habita, com certeza, nos tornaremos uma comunidade onde cada uma vai encontrar caminhos para “sair do grande sono”! Nosso futuro está nas mãos de Deus, façamos, com Ele, tudo o que deve ser feito! Unida pela e na Presença de Deus,Ir. Rita Batista